cada um tem o
seu ponto de vista
encare a ilusão
da sua ótica
os olhos dizem
sim
o olhar diz não
...
sou cego
não nego
enxergo quando
puder
só vejo
obscuro objeto
desejo indireto
será que você
me entende?
Quando eu era guri, gostava de ouvir um comentarista
esportivo das antigas. Veterano, ele havia jogado no Grêmio na década de 30. Depois de atuar como árbitro, ele ainda treinara a dupla Gre-Nal. Muitos consideram Foguinho (era
este seu nome de guerra) um dos pilares sobre os quais se ergueu a tradição
gaúcha do futebol-força.
Com sua fala marcada pela troca do R por G, ele
costumava vaticinar o futuro de jogadores que eram contratados sem nunca tê-los
visto jogar, usando como único recurso uma olhada na foto do jornal. Claro que
cometia alguns erros (achava que Falcão era “um jogadog peladeigo” - um
jogador de pelada, que não guarda posição). Quando errava, acompanhar sua relutância em dar o braço a torcer fazia parte da diversão.
Ele costumava alfinetar os
colegas comentaristas que não tinham experiência de campo (e faziam teses
mirabolantes cheias de palavras com muitas sílabas) num desabafo característico
: “Ah, estes intelectuais do futebol...”
(*)
Na sua chegada ao Brasil, antes de virarem padrão, os CDs eram caros; quase todos, importados. Nas poucas e pequenas lojas o atendimento geralmente era afetado, de boutique, como em alguns restaurantes metidos à besta. Entrei em uma dessas lojas, em Ipanema, e notei que o dono estava discutindo preferências musicais com um cliente. Tentei sair de fininho, mas o cara me viu e me chamou. Querendo que eu atuasse como juiz e decidisse o impasse entre eles, perguntou: “Quem toca mais, Eric Clapton ou Andrés Segovia?”.
PQP! Se eu dissesse que a pergunta não fazia o menor sentido provavelmente iniciaria uma outra querela... e eu só queria sair dali rápido. Falei “Jacob do Bandolim” (uma resposta tão boa e tão ruim quanto outra qualquer - mas a mais sincera) e sai da loja com a desculpa de que estacionara meu carro em lugar proibido.
(*)
Adoro teses (bem construídas). Sou capaz de ficar horas falando sobre música, esporte, frutas, religião, livros... Acho que equações matemáticas podem ser belas, assim como discursos políticos, carros populares e perfumes. Cada um com sua beleza.
Mas quando se quer usar fita métrica para comparar alhos e bugalhos, tô fora. Por que fingir que podemos ser objetivos quando amamos ou odiamos? Por que fingir que podemos ser subjetivos quando medimos e comparamos? Ah, estes intelectuais do futebol...
(*)
bah nada a ver com o texto, tudo a ver com a gente: Segundo o parceiro @romoliv, entre divulgação do NAS ENTRELINHAS DO HORIZONTE e shows do POUCA VOGAL, devoraremos 8550km nesta semana. A agenda tá na coluna ali ao lado. Estão todos convidados! Sempre um prazer encontrar os "@" na vida real.
E já que ele veio com números do futuro, eu vou com números do passado:
Londrina-PR; 1989, 1990, 1991, 2008, 2011.
Maringá-PR; 1989, 1990, 1991, 1994, 1997, 2002, 2005, 2006, 2008, 2010.
Fortaleza-CE; 1987, 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2010.
Recife-PE; 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1997, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2010, 2011.
Natal-RN; 1988, 1989,1993, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2011.
Quem foi? Quem vai?
Abraços
29mai2012
































