Só pra desejar um bom carnaval.


Salve, salve, meus caros! Espero que estejam tendo um ótimo carnaval. No agito ou no sossego, como melhor lhes aprouver!

(*)

Há muito é dito que vivemos na Sociedade do Espetáculo. Com carnaval e Super Bowl, este foi, por excelência, O Fim de Semana do Espetáculo.

Em relação à festa dos gringos, confesso ter sentimentos contraditórios (mixed feelings - pra ficar na língua deles). Às vezes acho legal. Noutras me parece que o show do intervalo deixa o jogo pequeno e o jogo deixa a música pequena e os números hiperbólicos que cercam o evento deixam a vida real pequena. Mas... é um belo circo. Se não faltar pão, que mal tem, né?

Mas... sentar na arquibancada em silêncio, concentrado na expectativa do segundo tempo da final pode ser tão bom quanto... qualquer coisa.  Porque o mundo tá lá fora, mas... também tá aqui dentro.

Ok, eu sei, até avisei: mixed feelings nesse feriado.

(*)

Por aqui, na deserta POA, aproveito esses dias para colocar algumas coisas em ordem. E desordenar outras. O difícil é diferenciar umas das outras. Às vezes, desordem é só nossa incapacidade de reconhecer um padrão e ordem é apenas imobilidade.


Aproveitem na boa o que resta do feriado!
09fev2016

Porto Alegre - Rio - Nepal


No fim de semana que passou, a tour Louco Pra Ficar Legal esteve em Guarapari. Retomando a rotina sem rotina da estrada. O show foi bacana (há muita gente querida no Espírito Santo) e acabou no meio da madrugada. Antes de fazer o check out do hotel e partir para o aeroporto, sobrava apenas aquele par de horas em que dormir só aumenta o cansaço.

Mais um domingo dormindo milhares de quilômetros. A 8.000m de altura, entre pousos, decolagens e escalas. Dizem que há gente na equipe que ronca mais alto do que a turbina do avião, que inadvertidamente encosta a cabeça no ombro de quem está ao lado e - dizem - até deixa escorrer uma baba pelo canto da boca (não me peça para dar nome aos boys).

Na chegada, encontrei POA devastada pelo vendaval de sexta-feira. Um número impressionante de árvores derrubadas (falam em 3.000!). Falta de água e luz nas casas e a triste constatação de que, sempre que o bicho pega, quem tem menos perde mais. Vinda não sei de onde, a esperança de que um chute na porta desses que a natureza dá um dia nos faça cair na real e unir forças acima de tudo que nos divide. Papo ingênuo? Sim, e daí? Não há mesmo saída via malandragem.

(*)

Entrei em casa no meio da tarde, desfiz a mala e fiquei um tempão no modo zumbi até que o sono me vencesse. Acordei na madrugada. 3h19min, informava o celular com um restinho de carga que pouco durou.

( Gosto da escuridão. Quando estou sozinho e a noite chega, retardo o máximo possível o gesto de acender a primeira lâmpada da casa. Só depois de muito bater com a canela nos móveis dou o braço a torcer. )

45% de bateria no laptop e a falta de conexão à www permitiram que eu me concentrasse no trabalho: retoques no setlist, detalhes do cenário, ideias para um clipe e para o disco novo...


... mas o cérebro ficou pregando peças a noite inteira. Assim: eu clicava num link e só depois me lembrava de que não havia conexão por não haver energia elétrica. Aí pensava: então vou ouvir música. Ops! não tem luz! Ah, é mesmo! Então vou ver TV. Não, não tem luz! Sim, claro, que cabeça a minha! Então vou ligar meus teclados e tocar de fone pois é madrugada. Negativo! Não tem energia elétrica. Ah, sim, sim, como fui me esquecer! Mas então vou ao menos ligar o ar condicionado pra ficar mais fresquinha essa escuridão. Nã-nã-nã-nã-nã, não vai não. É, não tem luz, né? Então vou fazer pipoca no microondas. Ops! Tá, então, enquanto a energia não volta, vou clicar nesse link. Putz.

Assim foi até amanhecer e o sono me atropelar novamente: várias lembranças de coisas a fazer de mãos dadas com o esquecimento de que não era possível fazê-las.

(*)

A ausência é um pouco isso, né: uma presença. Afinal, a gente sente a presença de algo (de alguém, de algum momento) que não está ali. Como, nessa noite, a luz que a tormenta apagou. Algo que a gente esquece de esquecer. Pois o que a gente esquece de verdade, nem ausente está.

Ah, essas mudanças de fuso horário! Com esse nó na cabeça, adormeci. Se sonhei, não lembro - nem ausente o sonho está.

02fev2016


Louco Pra Tocar Por Aí:
No show de Porto Alegre
captaremos imagens para um clipe
de Pra Ficar Legal.
Estão todos convidados!

Compacto Simples


Quem leu o Pra Ser Sincero (Ed. Belas Letras, 2010) talvez lembre que tínhamos, na casa da minha infância, um monte de discos. Ganháramos aquele tesouro de um tio. Era uma coleção completamente aleatória pois este tio, por sua vez, ganhara os discos por trabalhar num escritório de arrecadação de direitos autorais. Tinha de tudo ali!

Ninguém, em sã consciência, compraria aqueles e só aqueles discos. Como coleção, não fazia o menor sentido. Mas o caos daquela diversidade foi muito bom para uma criança curiosa e ávida por desbravar o mundo aparentemente infinito dos sons musicais. Prato cheio, saudável mistura.

No início dos 70, lá em casa,
uma eletrola como esssa
fazia a mágica de transformar 
vinil preto em música multicolorida.
Eram, na maioria, LPs (no livro eu cito dois dos meus Long Plays favoritos: Os Incríveis e José Mendes). Mas havia também alguns “compactos”. Não, não se trata de compact discs! Ok, falo de tempos passados, né?, melhor explicar: "compactos simples" eram discos de vinil menores, com uma faixa em cada lado. 

Sem capa específica, vinham num papel genérico da gravadora com um buraco que coincidia com o selo do disco onde se lia nome da música, tempo de duração, ano de produção, intérprete, compositor, editora, etc... 

Antes de serem extintos (na minha vida profissional não convivi com eles), esses pequenos discos se sofisticaram, apareceram os "compactos duplos". Com quatro faixas e capas como as dos LPs, com projeto gráfico relacionado ao conteúdo.


Um compacto duplo maravilhoso da discoteca da minha infância: The Mamas & The Papas! A capa mostrava o quarteto dentro de uma banheira (vestidos, é claro - surrealismo pop, bem anos 60, né?). Três sentados e Michelle Phillips, deitada sobre eles. Linda. Confesso que era um motivo extra-musical pra gostar do disco. California Dreaming abria um ladoMonday Monday, o outro. As outras duas canções, minha memória não guardou. 

Mas o compacto que eu mais ouvia era simples na nomenclatura porém muito sofisticado no conteúdo: Mutantes! Lembro bem das duas músicas: Dois Mil e Um no lado A e Dom Quixote no B.

Dois Mil e Um é uma viagem! Colagem de música caipira com sons progressivos… foda! Muito louco ouvir hoje - quando 2001 já é passado - a confrontação de coisas (então) modernas, universais, com o regionalismo tradicional ("meus sangue é de gasolina" cantam eles num verso, ecoando Marinetti e os futuristas do início do século XX, com caricato sotaque caipira). Letra com sacadas bacanas, arranjo incrível, surrealismo pop, psicodelia e música de raíz manipulados com muito talento. Genial, foda mesmo.

Mas, hey, não é hora nem local pra ficar falando da minha admiração pelos caras. O assunto pintou porque semana passada gravei um compacto simples. Sim, com toda pompa e circunstância! Apesar dos sinais que o ambiente teima em emitir de que nada mais tem significado.

Sinais de que nada significa!?! Estranho, né? Não os levo em consideração pois, se nada faz sentido, há muito que fazer.

Talvez as gravações que fiz não assumam forma física de compacto simples nunca, mas no meu coração sempre será.  Faz Parte e Pra Ficar Legal são as canções. As duas são lado A. Ou lado B. Depende da perspectiva e, sinceramente, tanto faz.

No post da semana que vem explico melhor o que farei com elas e o que elas farão comigo. Enquanto isso...

...boa semana,
meus caros!
26jan2016

bah 01: o selo dos compactos informava mais do que o Spotify informa, né? Dois Mil e Um foi composta por Rita Lee e Tom Zé.

É improvável que te traga lembranças da infância, mas, mesmo assim, vale muito a pena:  
Aproveite.

bah 02: Num show do Sérgio Dias no JazzMania, no Rio, em mil-novecentos-e-Rickenbacker, pedi a ele um autógrafo. Num guardanapo, ele desenhou, no "O" do seu nome, um símbolo hippie. 

Tenho feito o mesmo nos autógrafos que dou. Serpentes mordendo o próprio rabo, ying-yang, o círculo da bandeira do Brasil, o distintivo do Grêmio, os parênteses do Pouca Vogal, etc... fazendo as vezes do "O" do meu nome. 

Ah se aquele alemãzinho que ouviu o compacto até furar soubesse!!!!!!

Game, Set & Match


Saquei bem, deslocando o adversário para fora da quadra, e fui à rede finalizar o ponto. O cara tentou me encobrir no contrapé. Saltei pra trás e cravei um smash no lado oposto

Ah, foi um baita ponto! Sem comemoração, afinal sou discípulo de Bjorn Borg. Na real, minha simulação da frieza do Iceborg só rola nos dois primeiros e nos dois últimos minutos do jogo. Antes do sangue ferver e depois do cansaço bater. Mas estávamos mesmo no fim do treino. 

O impacto da bola bem no centro das cordas (ah, o sweet spot!) fez um lindo som. Um power chord digno de Ritchie Blackmore. Finalizado o golpe, assumi aquela pose blasé de quem está acostumado com belos lances (faaaaalso!) e olhei pro relógio na parede da quadra. Retirando a bandana da cabeça e caminhando em direção à garrafa d'água, falei pro parceiro de jogo: "tá bom pra mim".

Melancólico, nunca fui bom competidor. Há vários anos não contávamos mais os games. Nesse sentido,  jogávamos um tênis frescobolizado. O adversário não estava do outro lado da rede: estava dentro do nosso próprio uniforme. Mais precisamente, entre as orelhas, envolto por uma bandana. Mind Games, cantaria o Beatle cabeção.

O barato de toda aquela correria e suador era o aperfeiçoamento em si. Mais do que fazer um número maior de pontos do que o adversário, buscar a melhor performance pessoal em cada ponto era o objetivo. Como se cada passo da caminhada fosse mais importante do que a chegada.

Sim, foi um baita ponto! E eu não imaginava que seria o último. Na semana posterior, não pude jogar por um motivo qualquer.  Por outros, não voltei à quadra nas duas semanas seguintes. De compromisso em compromisso, passou-se o mês. Uma dor no ombro que eu administrava há tempos piorou, fui examinar. Rompimento parcial de dois tendões. Repouso, gelo e fisioterapia. E, de quebra, o aviso de que meus pulsos também estavam de sobreaviso.

Senti soar o alarme, piscou a luz de alerta. Ombro > cotovelo > pulso > mão > dedos... não, a dor não pode chegar às cordas do meu baixo Mayones, de jeito nenhum!

Graças a Deus, no dia-a-dia da minha are/ofício, a dor não atrapalhava. Um incômodo que não incomodava - com o perdão do máu português. Salvo no eventual pedido de foto: se eu tentasse um abraço em alguém que estivesse do meu lado esquerdo, minha expressão facial sairia dolorosamente estranha na foto.

Como não posso me dar ao luxo de brincar com isso, tomei a decisão. Marquei uma reunião com minhas raquetes pra avisar que, a partir de agora, elas teriam uma função puramente decorativa - também louvável: um pôster em 3D na parede.

Elas objetaram "Mas é o ombro esquerdo, tú és destro, não temos nada a ver com isso! Só jogamos uma vez por semana, a culpa não é nossa! É da doubleneck, da sanfona! Pára de pular no palco com esse peso pendurado no ombro em vez de abandonar o jogo!" 

Não duvido que alguma delas, sem querer falar na lata, tenha pensado "Culpa do DNA: Data de Nascimento Antiga! Se até o Pete Tonwshend sossegou, parou de girar seu moinho de vento, por que esse alemãozinho fica se esgualepando a cada acorde?".

Tadinhas. Expliquei que eu estava sofrendo tanto ou mais do que elas, que me divertia muito jogando, mas fazer música é o que me faz viver. No fim, entenderam. Até ficaram felizes pela folga. Não deve ser nada muito glamouroso ser raquete deste veterano tenista medíocre. 

(*)

Postei este texto assistindo ao Australian Open. Madrugada adentro. No sofá, onde sigo jogando e onde sempre joguei melhor. Ainda uma criança vendo os ídolos desafiarem leis da física que a nós, pobres mortais, aprisionam.

Sou grato pelas horas que, desde guri, passei nas quadras. E por não ter sabido, na ocasião, que jogava meu último ponto.

(*)

Evoé, Thomas Koch, Guga, Borg, Guillermo Vilas, Jimmy Connors, Ivan Lendl, Boris Becker, Patrick Rafter, Pistol Pete & A-Train, FedEx, Rafa, Nole... Evoé!

Evoé, Martina Navratilova, Steffi Graff, Elena Dementieva, irmãs Williams... Richie Tennenbaum, Evoé!


bah: pra quem se interessa em outros olhares sobre o esporte, no livro Ficando Longe Do Fato De Já Estar Meio Que Longe De Tudo, do David Foster Wallace, há um texto tribom chamado Federer Como Experiência Religiosa.

abraços sem cara de dor
19jan2016

k7 no Chevette


Artistas longevos, de obra generosa e solidamente construída, permitem que nos movimentemos dentro dela, descobrindo cantos, preferindo ambientes, estranhando corredores, abrindo portas e janelas, fechando capítulos e feridas...

... oferecem espelhos para vários momentos da vida. E nem precisa ser um espelho multifacetado. Na beleza da música pop, dá pra fazer golaço nas duas goleiras: tanto sendo um camaleão como David Bowie quanto usando o mesmo corte de cabelo a vida inteira como Jeff Beck. 

(*)

Ao lado da melancolia, quando um grande artista nos deixa, pinta o incômodo de sentir que se oficializam as leituras de sua obra feitas pelas "cabeças pensantes" de plantão. Narrativas quase sempre empobrecedoras, esquemáticas, que nunca conseguem captar os fenômenos em toda sua grandeza e sutileza.

Algo sempre se perde nos resumos e atalhos. Às vezes, esse "algo" é o principal. Não é qualquer fotógrafo que consegue capturar o movimento.

Normal, tá no DNA da indústria da informação a tentativa de enquadrar em um par de frases grandiloquentes uma trajetória, por mais singular que seja. Na real, essa caça às borboletas começa no primeiro acorde da carreira. Mas depois do último, ela parece mais cruel.

O fato de os necrológios de celebridades serem escritos antes de suas mortes é sintomático, né? David Bowie tem, desde sempre, escapado bem destas armadilhas.

(*)

O meu Bowie particular é o de uma k7 do álbum Scared Monsters (and Super Creeps) rodando num Chevette Hatch que, por sua vez, rodava pelos paralelepípedos da Porto Alegre do início dos anos 80.

Para Bowie, Ashes to Ashes (o single do disco) encerrava a década de 70. Num cantinho do planeta, ao sul da América do Sul, pra alguns de nós, ela encerrou os anos 60.

RIP, Bowie.

Obrigado pelas mensagens lembrando o
aniversário do primeiro show dos EngHaw.
Acima, o cartaz feito há 31 anos
por colegas da FAURGS.

2016, vamos juntos!
abraços
12jan2016

por osmose


Sempre, em qualquer situação, dá pra aprender alguma coisa. Até em aulas de química.

Brincadeirinha. Viva a educação formal, todas as ciências e a transmissão do saber! Mas, sério, nunca aprendi nada de química. Tive professores bacanas, sempre achei a finalidade da matéria interessante e promissora, mas, em algum ponto do caminho, o trem que me levaria da ignorância à sabedoria descarrilhou. Talvez seja porque no início do ensino dessa disciplina no colégio problemas lá em casa me fizeram perder muitas aulas. Nah, sem desculpas! Acho que certas coisas "são pra ser", tá escrito. 

Sempre que alguém tem implicância com alguma matéria (quem não tem?), sabe explicar muito bem por que: qual área da matemática, qual período da história, qual aspecto do português, que exercícios de educação física... nem isso sei sobre química.  É simplesmente um branco na minha formação, sem ressentimentos. Ainda que, mais de 30 anos depois, vez por outra, eu ainda sonhe que tenho prova na manhã seguinte sem saber nada do conteúdo, sem ressentimentos. Falando nisso, como será que eu passava nas provas? Deve ser o que crentes chamam de milagre. Eu acredito.

(*)

Aprendi um lance numa aula de Biologia. Foi no dia em que o professor ensinava osmose (movimento de água entre dois meios de concentrações diferentes através de uma membrana semi-permeável, um fator importante na vida das células). Depois da explicação, ele perguntou: não seria legal se a gente colocasse um livro sob o travesseiro e, à noite, durante o sono, aprendesse tudo por osmose? Todos concordamos sorrindo. Depois de uma pausa dramática, o professor disse: Não! Cuidado com seus desejos! Na osmose, a passagem se dá do meio menos concentrado para o mais concentrado:  a direção da transferência seria da cabeça para o livro!

Essa blague me serviu mais vida afora do que o conhecimento sobre a osmose em si. Lembro dela quando tenho que peneirar a www atrás de informação confiável, desviando dos engajamentos histéricos, das teses que precedem fatos e a eles tentam se impor. Afinal - nós e a rede - quem alimenta quem? É mesmo uma via de mão dupla (múltipla?). A superabundância de informação pode desinformar?

Hortelã pra refrescar.
bah: Depois de uma virada de ano maravilhosamente sossegada numa Porto Alegre deserta, hoje participo do tradicional Sarau Elétrico, no Bar Ocidente. Numa Porto Alegre que, aos poucos volta à sua concentração normal. 

O resto da semana passarei em estúdio com Rafa e Nando registrando uns lances bacanas que pintaram nos shows de pré-estreia da tour Louco Para Ficar Legal. Em breve, divulgo a agenda de 2016, ok?

Além de shows, o ano promete alguns videos no primeiro semestre, a gravação de um disco de inéditas no seu final. Mas aí já tô colocando o carro na frente dos bois, né? Bora lá, um dia de cada vez.

abraços
05jan2016

xadrez



No marasmo do feriado, assisti a um documentário sobre Kasparov, grande mestre do xadrez. Lá pelas tantas, imediatamente após a vitória que lhe daria o primeiro título mundial, ao cumprimentá-lo, seu técnico diz: "Tenho pena de você pois acabou de passar o grande momento da sua vida".

Ao repetir a frase, anos depois, olhando para a câmera, o campeão concorda que seria mesmo impossível superar aquele ponto alto. 

Ok, eles são jogadores (atletas?). E russos! Mas, caraca, que visão estreita e linear da vida, né?

(a favor do mestre, ressalte-se que ele concordou sorrindo e ninguém que realmente se dá conta de que o futuro é só downhill sorri, né? então... vá lá, deixa assim.)


(*)

Nesse fim de ano espero que, sob escombros de planos, balanços e retrospectivas, siga intacta a fé no milagre da vida, com suas curvas incompreensíveis e seus altos e baixos (que anos depois podem se revelar baixos e altos).


Meu mais caloroso abraço
e
votos de um feliz 2016!
29dez2015

bah : Rickenbackers em silêncio: no finzinho do ano em que se foi Chris Squire, faleceu Lemmy Kilmister. Quem não conseguir gostar de dois artistas tão diferentes não faz ideia do que está perdendo.

Ops

( Ops, vacilei no fuso horário estradeiro, a terça me pegou dormindo. Perdi a hora do nosso encontro semanal. Acordei na madrugada e li que falecera Flávio Basso, talentoso músico, colega da geração que pintou nos anos 80 sacodindo a cena gaúcha. Que esteja em paz. Força aos familiares e amigos. Segue viva sua música no coração dos fãs. )


Seguindo a tradição, pré-estreia de tour em Belo Horizonte. As cartas estão na mesa, alea jacta est... escolha seu clichê favorito, no idioma que quiser, pra expressar minha disposição de cair na estrada na direção de quem quiser ouvir a música que faço. Sem medo de correr riscos, nem de ser feliz.



























As fotos acima são de Jocelito Camargo.
Um prazer adicional que o tempo de estrada traz: ver uma moçada antenada fazer a transição de fã a profissional, compondo, tocando, trabalhando com produção, jornalismo, programação visual, video, foto, merchandising, luthieria e outras coisas ligadas ao mundo dos espetáculos. O mérito é todo deles, claro, mas pego carona na satisfação.

Nos vemos no ano que vem.
Pra 2016 ficar legal.
Planos de voo.

E, ao pessoal que, sem alarde, fez e faz o show acontecer,
meu agradecimento especial.
22dez2015

dezembrices


Num post recente, escrevi sobre o entrelaçamento entre as coisas que desaparecem e as que permanecem. O perene e o passageiro estão sempre por aí, lado a lado. Ainda que, por vezes, seja difícil saber qual é qual. 

É um tema recorrente nos fins de ano, quando coincidem encerramentos de vários ciclos. Mas, hey, o quão diferente do 31 de dezembro pode ser o primeiro de janeiro?

(*)

Num mesmo dia da semana passada tive duas conversas simetricamente interessantes. Num intervalo de poucas horas falei com um cara que está pesquisando para escrever sobre o passado e com outro que está me ajudando a pensar e realizar projetos futuros. Ambos, pessoas bacanas e bons profissionais.

A impressão mais forte que ficou deste dia olhando para trás e para frente foi de "Caraca, como o mundo mudou!". Mais do que mudar, parece que, no meio do caminho, um mundo acabou e outro começou do zero. De permanente: música, estrada, alguns sonhos, muitos palcos... o caminhante, sempre no meio do caminho.


Foi semana, também, de ensaios intensos com Nando e Rafa. Muito trabalho e trabalho muito divertido. Espero que o prazer que sentimos preparando a nova tour reverbere e se reproduza nos corações e mentes de todo mundo que assistir aos shows.

A pré-estreia será em BH, sábado e domingo. Ainda sem cenário e luz definitivos, mas já completamente loucos pra ficar legal. Tiago Iorc vai pintar lá para, juntos, cantarmos Alexandria

Que em 2016 possamos tocar para todo mundo que estiver a fim de nos ouvir!
abraços
15dez2015

retrato em movimento


A nave inSULar fez sua última escala domingo, pousando pela terceira vez em São Paulo. Que noite! Que noites! Que viagem! 

Fica minha gratidão a todos que participaram dessa tour, tocando, trabalhando, ouvindo, curtindo... E fica o convite pra seguir viagem.


Seguir pintando esse quadro. Com o pincel que Deus nos deu e com as cores que pintarem (ops) no caminho.

Nessa obra em permanente construção, podemos sobrepor várias camadas de tinta; mas apagar é impossível. Tudo permanece latente, subjacente.

Não dá pra saber ao certo a que distância a pintura será vista - alguns a verão de longe e de relance, outros prestarão muita atenção, colocarão uma lupa pra sacar nuances. E há sempre o risco de que ninguém veja nada (knock-knock-knock).

É inútil pensar no destino desse quadro no futuro (um grandioso museu ou a poeira de uma pilha de entulhos?),  melhor concentrar-se em uma pincelada de cada vez. O caminho a gente faz andando.

Moldura? Não, essa pintura não aceita enquadramentos. A gente vai pintando sem saber que tamanho a tela terá. O tal quadro é nossa vida, né?


E vamo nessa! Colorir o chumbo que paira no ar. Pra ficar legal.
abraços
08dez2015

...


AC
Rio Branco

AM
Manaus

BA
Caetité, Ilhéus, Feira de Santana, Lauro de Freitas, 
Salvador, Teixeira de Freitas, Vitória da Conquista

CE
Fortaleza

DF
Brasília

ES
Cachoeiro do Itapemirim, Castelo, Vitória

GO
Goiânia

MA
Imperatriz, São Luis

MG
Alfenas, Belo Horizonte, Caratinga, Divinópolis,
Governador Valadares, Ipatinga, Itajubá, João Monlevade,
Juiz de Fora, Ouro Branco, Pará de Minas, 
Piumhi, Salinas, São Gonçalo do Rio Abaixo
Ubá, Uberlândia, Varginha

MT
Cuiabá

MS
Campo Grande, Dourados

PA
Belém

PE
Caruaru, Porto de Galinhas, Recife

PB
João Pessoa

PI
Teresina

PR
Astorga, Campo Mourão, Cascavel, Curitiba
Dois Vizinhos, Foz do Iguaçú, Francisco Beltrão
Guarapuava, Marechal Rondon, Maringá, Pato Branco
Ponta Grossa, São José dos Campos, Toledo
Umuarama, União da Vitória

RJ
Rio de Janeiro, Volta Redonda

RO
Cacoal

RS
Bagé, Carazinho, Caxias, Cruz Alta, Frederico Westphalen
Ijui, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre
Rio Grande, São Leopoldo, Santa Maria, Uruguaiana

SC
Biguaçu, Blumenau, Canoinhas, Chapecó, Concórdia
Herval d’Oeste, Joinville, Lages, São Ludgero, 
São Miguel D’Oeste, Timbó, Tubarão, Urussanga

SP
Americana, Campinas, Bauru, Jaguariuna, Jundiaí, Lorena
Piracicaba, São José do Rio Preto, São José dos Campos
São Paulo, Tupã

TO
Palmas

Estas foram as cidades onde toquei nesses 3 anos inSULares. Em quase todas, mais de uma vez. É o que diz a objetividade dos números e da geografia. Mais difícil é saber onde reverberaram as (outras) frequências do nosso som, da nossa vibe; que corações bateram junto. Conta impossível de fazer, fácil de intuir: foi um período incrível! Que se encerra neste fim de semana, no show de São Paulo.


Na real, não se encerrará: vai se transformar. Não é à toa que a pré-estreia da tour Louco Pra Ficar Legal será logo na sequência, antes do fim do ano. Seria mais lógico começar em 2016, depois de merecidas férias, né? Mas lógica nunca foi meu forte. E...

... sim, vamos mudar o repertório, vai pintar um novo cenário, um DVD em breve...  mas muita coisa sempre permanece. Diferente dos filmes que entram e saem de cartaz, é assim a vida real. 

Afinal, quando surgiram essas coisas que teimam em permanecer? Acho que na Idade da Pedra Lascada, antes do primeiro instrumento ser chamado de instrumento, na primeira vez em que um nosso antepassado batucou com as mãos na própria coxa para surpresa e alegria dos companheiros que estavam ali em volta da fogueira.

Na nova tour, permanece o trio, as músicas de todas as fases da minha carreira, a vontade de tocar em todo lugar onde queiram nos ouvir e criar ilhas de paz e música a cada show, cada canção... seguimos loucos pra ficar legal! Bem vindos a bordo de mais um recomeço.


agora não
ainda é cedo pra esquecer
eu vou sair do ar um tempo
na contramão do que está por acontecer
vou respirar com paciência

sei que lá fora brilham luzes artificiais
lá fora o fogo das caldeiras pede mais e mais
querem sempre mais

louco pra ficar legal
longe da euforia industrial
louco pra ficar legal
longe da histeria carnaval

agora não
é  muito tarde pra entender
eu tô fechado pra balanço
na contramão de tudo que dizem que aconteceu
eu vou sair da área de alcance

sei que lá fora a banda toca em outro tom
lá fora ainda rimam soluções
lá fora violência vende mais

louco pra ficar legal
longe de um romance policial
louco pra ficar legal
longe Porto Alegre-Rio-Nepal

louco pra ficar legal
longe de um pecado capital
louco pra ficar em paz
longe demais das capitais


01dez2015
Sem texto hoje, meus camaradas. Volto semana que vem, ok? Enquanto isso, cuidem-se.

=)

HG


...


Putz, terror ali, lama tóxica aqui, na reta final de um ano que cambaleou cotidianamente num astral estranho, exigindo um pouco de loucura de quem quiser manter um pouco de sanidade.

Some-se a tudo isso os problemas pessoais que todos temos, coisas pequenas e insignificantes para a humanidade (o que é mesmo humanidade?), que não estarão nos jornais nem causarão polêmica nas redes sociais... coisas pequenas e insignificantes que nem por isso deixam de ser grandes e importantes porque não há matemática aplicável a sentimentos e um cisco no olho pode derrotar o mais belo horizonte e...

... e as frases vão ficando longas, com pontuação vacilante enquanto o silêncio - se ouvido - parece resumir melhor o que não sabemos e nem mesmo sabemos ignorar.

Suíte LDDC
Entrementes, no planeta Som, semana de ensaios da nova tour. Loucamente. Pra ficar legal. Fico dividido entre compartilhar as novidades à medida em que forem pintando (fiz isso no Novos Horizontes e no Pouca Vogal, trabalhos que nasceram e amadureceram "em público") ou ficar na minha até que tudo esteja firme (pois os tempos são outros e tudo parece muito acessível a todos, num flerte com a irrelevância em um mundo congestionado de reality-shows comportamentais, musicais, culinários, arquitetônicos, esportivos... tempos populistas - um risco para quem cria).

Se bem me conheço (ah, como queria me conhecer com a certeza das pessoas que acham que me conhecem!) vou seguir levando minha arte/ofício "de ouvido", no instinto, falando e calando quando acho que devo. Tem sido bacana. Tá ficando legal.

próximos passosda tour inSULar
17nov2015